Posicionamento político deste blogger: Setor rural deve ter cuidado com José Serra

O secretário estadual do Meio Ambiente de São Paulo, Xico Graziano, anunciou nesta quinta-feira (24) que deixará o cargo para ser o coordenador do programa de governo de José Serra. Graziano disse que a campanha de Serra irá incorporar propostas semelhantes a da candidatura de Marina Silva. “O programa de Serra será muito esverdeado e isso aproximará naturalmente as duas propostas de governo”, disse Graziano.

Serra está mirando o apoio de Marina Silva no segundo turno. Caso seja eleito com o apoio dos verdes Serra provavelmente entregará as decisões ambientais de seu governo à turma de Marina Silva.

Se for esperto Serra fará como Lula, usará Marina como uma espécie de calmante de ambientalista radical. Lula fez isso. Com Marina no MMA e os fundamentalistas do ½ ambiente felizes que nem pinto no lixo, Lula conseguiu aprovar os transgênicos, as hidroelétricas do Madeira, três ou quatro outras hidroelétricas no Tocantins, Belo Monte, a transposição do São Francisco, o asfaltamento da BR 163 e por aí vai. Nesse cenário, com uma atuação política bem articulada, os produtores rurais poderão conseguir leis ambientais mais adequadas à produção e à preservação.

Por outro lado, Serra pode cair da besteira de entregar realmente as decisções ambientais aos verdes. Os tucanos têm essa mania. Fernando Henrique entregou a economia ao PFL nos dois governos de coalização que fez com o partido. Nesse caso, os produtores rurais enfrentarão dias tenebrosos. Os Marinas's boys grassarão feito impinge no inverno amazônico e o aperto policialesco em torno das leis ambientais atuais - sem alterações - deve ser radicalizado. Atitudes se sublevação como a do Ministro Stephanes, que expuseram a carranca do Código Florestal, serão coibidas pela raiz no nascedouro.

Em qualquer dos dois cenários será necessário uma articulação política nunca antes praticada pelos produtores rurais brasileiros. Os produtores devem começar a articular os diversos sindicados, associações, institutos, uniões, qualquer pessoa física ou jurídica que tenha uma nesga de interesse nesse tema, deve agir de forma articulada. CNA, Abag, Abiec, Abiove, Unica, CNI, SRB, Abraf, Ibram, Bracelpa, toda e qualquer sigla que tenha um mísero nível de interesse no tema deve agir de forma coordenada.

É preciso construir uma instância colegiada que defina a estratégia e articule as ações, os recursos, os advogados, o marketing, os deputados, os estudos científicos. É hora de colocar os egos de lado e pensar no fortalecimento político do setor rural. Há dias tenebrosos no horizonte.

Em tempo, eu não gosto da Dilma, mas não consigo confiar no Serra. Acho sinceramente que ele vai optar pelo segundo cenário. Penso que o setor rural deve apoiar o PSDB, mas deve exigir de Serra um posicionamento claro sobre o setor. Se deixarem ele ficar em cima do muro ele poderá rifar o setor rural para ficar bem na foto na área ambiental.

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